Luís Godinho: «Domingo há uma equipa que ganha, outra que perde. Que saibamos ganhar e saibamos perder»

Luís Godinho, árbitro nomeado para a final da Taça de Portugal entre Benfica e Sporting, falou esta sexta-feira em conferência de imprensa no Estádio Nacional, no Jamor. O juiz de 39 anos é o porta-voz da equipa de arbitragem e abordou o modo como se prepara para um dos jogos mais importantes da temporada.

«Saudação especial a todos os amantes do futebol e da arbitragem. Prepara-se como qualquer outro jogo. Todos os fins de semana devemos preparar cada jogo como uma final, no detalhe e no pormenor. Um perfeito conhecimento dos intervenientes, das táticas, de momentos como a alteração do marcador condicionam a equipa de arbitragem. Preparamos com a máxima informação para dar a resposta desejada por todos.»

Sobre a relação com o público, Godinho valorizou a abertura e a comunicação com os adeptos:

«Por experiência própria, acho que é benéfico para todos a aproximação da equipa de arbitragem aos espectadores e adeptos. Quem está aqui são homens e mulheres com vontade de fazer bem e o melhor para todos.»

Relativamente às críticas, foi direto:

«Desde que me lembro que assim é. O que faço e o setor da arbitragem faz é proteger-se, com respeito pelos intervenientes, e tentar abstrair do que não nos diz grande importância. Focamos no nosso trabalho. Podemos cometer lapsos, mas trabalhamos para não os cometer na semana seguinte. O nosso trabalho e a preparação são o foco.»

Sobre a importância do jogo, garantiu que a equipa de arbitragem está totalmente focada:

«Tentamos preparar o jogo com a máxima informação e ter vários planos de ação. As entradas em campo dizem respeito aos intervenientes e a nossa estratégia depende da forma como entrarem em campo, para ajustar à nossa estratégia. O politicamente correto é dizer que a equipa de arbitragem apitará o que o jogo pedir, mas tudo muda. É o senso comum para não ‘estragar’ o jogo no sentido do espectador. Uma palavra para disfrutar o jogo e esquecer por 90 minutos a equipa de arbitragem. Estamos focados em dar o nosso melhor e em estar ao nível desejado por todos. Vamos fazê-lo como entrarem as equipas, a todo o gás para responder ao que o jogo vai pedir.»

Explicou ainda o nível de detalhe da preparação da sua equipa:

«A preparação é muito competente com qualquer uma das equipas, análises de jogos, esquemas táticos, comportamentos dos jogadores. Depois temos a experiência própria, comportamentos, jogadores com elo de ligação, treinadores. Este é mais um jogo, preparado ao ínfimo pormenor dos esquemas táticos, bolas paradas e alterações do marcador que possam provocar reajustares da equipa de arbitragem. Tudo requererá uma localização de campo diferente para ser proativo e perceber o que o jogador possa fazer, estando preparados para o cenário. Análise de jogo, conhecimento das táticas e dos intervenientes do jogo.»

Também falou sobre a sua presença nas redes sociais:

«Tenho recebido muitas mensagens e muitas de apoio. Sou um frequentador assíduo das redes sociais, continuo lá estar e também. Não deixo ninguém sem resposta, aqueles que respeitosamente me interpelam. As pessoas percebem que é um jogo especial. Estou imensamente feliz por estar no Jamor, nesta final, neste palco. É um momento único na carreira de um árbitro. Represento uma classe de arbitragem que veio da base ao topo e sinto muito orgulho em ter esta responsabilidade. No final, que ninguém fale de nós e que se fale muito de futebol.»

Quanto ao comportamento dos adeptos:

«O comportamento dos adeptos não conseguimos controlar, não está na preparação do jogo. O que quero transmitir é que todos aprendemos com os erros do passado. As pessoas estão mais preparadas para viver o jogo com esta rivalidade que será eterna. As pessoas devem aproveitar para tornar o futebol um entretenimento, de pessoas, de famílias. Todos nós tentaremos fazer algo para as coisas mudarem. Estamos perfeitos? Não acredito, mas para lá caminhamos. Domingo há uma equipa que ganha, outra que perde. Que saibamos ganhar e saibamos perder.»

Por fim, abordou o tipo de comunicação que mantém com os jogadores durante os jogos:

«Total lealdade. Os jogadores merecem total respeito e os capitães são quem maioritariamente podem falar comigo. A lei não pode ser levada ao extremo, há jogadores que não sendo capitães nos ajudam a levar a mensagem aos intervenientes. Quero ser o mais verdadeiro possível, sem histórias de encantar. Dou a minha perspetiva da ótica da minha sensação, sem desvalorizar a abordagem que foi feita de forma respeitosa. Há uma linha que separa as abordagens. Com capitães com experiência espero que sejamos uma boa equipa dentro do que é possível.»