O treinador do Sporting, Rui Borges, alertou, este domingo, para as dificuldades da deslocação a Vila do Conde, na antevisão do jogo frente ao Rio Ave, da 33.ª jornada da Primeira Liga, marcado para segunda-feira, às 20h15.
O técnico sublinhou que a equipa ainda tem objetivos por cumprir, apesar de já não lutar pelo título, destacando a necessidade de manter a exigência competitiva numa fase final da temporada.
“Temos de ser um Sporting exigente consigo mesmo. Ainda estamos na luta pelo segundo lugar, temos três jogos para o final da época, uma final da Taça. Criar essa exigência para vencermos um Rio Ave, que apesar de não ter os melhores resultados nos últimos jogos tem feito uma segunda volta muito boa com a permanência garantida. Não tem nada a perder. Acrescentou bons jogadores em janeiro, no processo defensivo e ofensivo. Muito fortes no contra-ataque e muito física. Vamos ter muitas dificuldades. Gostei bastante de ver o Rio Ave em muitos jogos. Cresceu bastante em relação à primeira volta. Temos de ter essa exigência individual e coletiva porque temos objetivos a cumprir.”
Questionado sobre o mercado e possíveis reforços, Rui Borges recusou comentar nomes associados ao clube, como Rodrigo Zalazar e João Palhinha, afastando qualquer distração nesta fase.
“Podem insistir muito nisso… Fala-se mais de mercado do que outra coisa nos últimos dias. Não vou falar de jogadores de outros clubes. Tenho três jogos pela frente com objetivos claros. Nem posso, sequer… Parece que estamos em junho ou julho. Não tem lógica comentar qualquer jogador. Estou focado nos nossos objetivos.”
Sobre o estado do plantel, o treinador confirmou que não há regressos do departamento médico e que a situação de Nuno Santos continua em dúvida.
“Não há ninguém de volta. São os mesmos lesionados e também o Nuno Santos em dúvida.”
Rui Borges abordou ainda a gestão de balneário em clubes de grande dimensão, sublinhando a importância do equilíbrio interno e da liderança.
“Em clubes grandes a dificuldade é essa: gestão diária de tantas pessoas à nossa volta: jogadores, staff… Tudo. Há muita gente a trabalhar. O saber gerir egos é natural. Nesse exemplo que deu… Só jogadores com grandes egos, com um futuro e um passado que fala por eles, é difícil conseguir gerir isso. É muito difícil. Esses problemas diários acontecem em todos os clubes, não com essa gravidade, talvez. O maior ganho que um treinador pode ter é olhar para o grupo e perceber que todos se respeitam e encontram qualidade uns nos outros. Cada um da sua forma, acrescentam algo e os colegas acreditam. ‘Sou bom à minha maneira e ele é bom à sua maneira’. Nesse aspeto, tenho a felicidade de ter um grupo que se respeita muito. É muito importante. Parte um pouco do trabalho da equipa técnica, que tem vários elementos. No campo há tantos treinadores bons, em termos de treino, mas há a outra parte, que é ganhar o respeito dos jogadores para conseguir fazê-los acreditar e perceber e trazê-los para ti. Se não acreditarem em ti, não adianta. A mensagem passa e não fica nada. O maior desafio conseguir cativá-los alguma forma e fazê-los acreditar na mensagem. Os egos não são fáceis e às vezes não vais conseguir gerir. É essa a grande dificuldade do treinador hoje em dia.”
O treinador elogiou ainda o percurso de Diogo Travassos, garantindo que o jogador deverá manter-se ligado ao clube, e abordou também o papel de Daniel Bragança no grupo.
“O Travassos é jogador do Sporting, tem feito uma grande época e tudo indica que tem de se apresentar no início da próxima época. A promessa é essa. É jogador do clube, tem feito uma grande época, com golos e assistências. Tem jogado numa posição que não é a dele de raiz, a extremo, a ala… mas tem tido o seu crescimento. Teve duas épocas muito boas na Liga, o que é muito bom para ele. É um jogador de equipa grande e teve essa capacidade de ganhar esse mérito. Estou feliz pela época que tem feito.”
“O Dani é um líder, é importante no grupo e tem contrato com o Sporting. No que diz respeito à renovação, não passa pelo treinador. Há treinador, há direção, há jogador… são vários fatores que se têm de conjugar para haver uma renovação de contrato. É nosso jogador e contamos com ele para a próxima época. Veremos se acontece ou não.”
Rui Borges reconheceu o desgaste físico e emocional do plantel nesta reta final da época, admitindo dificuldades em manter a motivação depois de o objetivo do título ter escapado.
“É pedir foco, exigência, rigor e profissionalismo. Nestes últimos 15 dias uma equipa que estava a lutar por tudo já não pode ser campeã. Temos a Taça e temos de os manter ligados, porque o desgaste é enorme. É difícil manter o mesmo ritmo. É um grande desafio. Passa muito por eles. A minha mensagem vai muito nesse caminho. Estamos com o balão cheio, depois fica vazio e é difícil voltar a colocar o balão no alto. Na final vão estar super ligados, mas diariamente o cansaço é enorme. É natural que os jogadores não estejam com o balão cheio. É natural que caia a motivação, por tudo o que foi a época. Eu também estou: viagens, conferências… Meses assim e nessa exigência máxima. Já não vamos alcançar o nosso maior objetivo, sermos campeões nacionais, e é natural que os jogadores sintam isso. Essa é a parte difícil.”
O treinador referiu ainda que o planeamento do plantel para a próxima época terá em conta vários fatores, incluindo condicionantes financeiras e possíveis saídas.
“Isso é o mercado que vai ditar. Tirando o Morita, temos todos os jogadores com contrato e estamos sempre atentos a ajustes. Agora, fim de ciclo ou renovação, não. Há jogadores que, se calhar, pretendem ter um rumo diferente, como o Morita. Dos que têm contrato, há um ou outro. Mas não vão sair só porque sim. Têm cláusulas. Estamos sempre atentos e precavidos para isso.”





