Sébastien Ogier resiste à chuva e aproxima-se de novo triunfo no Rali de Portugal

O francês Sébastien Ogier terminou, este sábado, no topo da classificação do Rali de Portugal, sexta prova do Campeonato do Mundo de Ralis (WRC), depois de um dia marcado pela chuva intensa e por troços extremamente escorregadios no Norte do país. O piloto da Toyota chega à derradeira etapa com 21,9 segundos de vantagem sobre o belga Thierry Neuville, enquanto o finlandês Sami Pajari segue na terceira posição, a 25,8 segundos da liderança.

Num sábado de condições particularmente exigentes, a experiência do nove vezes campeão do mundo acabou por fazer a diferença. A chuva forte que caiu sobretudo em Amarante, Paredes e na superespecial de Lousada dificultou a aderência e complicou a vida aos pilotos, mas Ogier revelou-se o mais consistente na lama e no piso encharcado.

“Foi uma tarde incrível com estas condições. Estes que estão aqui [em Lousada] são verdadeiros adeptos e não conseguimos dar-lhes o melhor espetáculo. Mas foi um bom dia para nós”, frisou Ogier.

O francês arrancou para a secção da tarde na segunda posição, apenas meio segundo atrás do sueco Oliver Solberg, mas assumiu rapidamente o comando após a especial de Felgueiras. A aposta da Toyota num acerto pensado para chuva revelou-se decisiva quando o estado dos troços começou a degradar-se.

A superioridade de Ogier tornou-se evidente em Amarante, a classificativa mais longa da prova, com 26 quilómetros. Debaixo de chuva intensa, o piloto francês foi o mais rápido, deixando o letão Mārtiņš Sesks a 11,2 segundos e Solberg a 11,9.

Já em Paredes, onde tinha perdido mais de 19 segundos durante a manhã, Ogier voltou a destacar-se, ampliando ainda mais a vantagem sobre a concorrência. O britânico Elfyn Evans foi o segundo mais rápido, a 3,7 segundos, enquanto Neuville perdeu 4,2.

“Esta foi uma das piores especiais da minha carreira [de manhã], ainda não sei como foi possível perder tanto tempo. Esta tarde viemos com afinações de chuva e isso ajudou”, explicava o piloto da Toyota, nove vezes campeão mundial.

A superespecial de Lousada encerrou o dia sob chuva intensa e trouxe novos problemas ao pelotão. O irlandês Josh McErlean abandonou depois de embater com violência no muro logo nas primeiras curvas, incidente que obrigou à interrupção da prova durante cerca de 15 minutos.

Foi Solberg quem conseguiu o melhor registo em Lousada, terminando 3,5 segundos na frente de Ogier e 3,8 sobre Pajari. Ainda assim, Neuville voltou a perder tempo para o líder, cedendo mais 1,7 segundos.

A decisão do Rali de Portugal fica guardada para domingo, dia em que os pilotos terão pela frente quatro especiais cronometradas, distribuídas por duas passagens em Vieira do Minho e Fafe, incluindo o tradicional salto da Pedra Sentada, num total de 65,6 quilómetros ao cronómetro.

Na categoria WRC2, o finlandês Teemu Suninen ascendeu ao primeiro lugar após a especial de Lousada. O espanhol Jan Solans segue a apenas 0,9 segundos, enquanto o finlandês Roope Korhonen ocupa o terceiro posto, já a 47,7.

Entre os pilotos portugueses ainda em competição, Armindo Araújo continua a ser o melhor classificado, à frente de Paulo Neto e Tiago Silva.

O dia ficou igualmente marcado por várias desistências. Diogo Salvi saiu de estrada em Paredes, enquanto Hélder Miranda abandonou após problemas mecânicos em Cabeceiras. No mesmo troço, Ricardo Filipe também ficou fora de prova após um despiste.

Já Diogo Marujo, que já tinha sofrido um acidente na quinta-feira, voltou a sair de pista na superespecial de Lousada e não conseguiu concluir a classificativa final do dia.