Em entrevista à revista Dragões, William Gomes revisitou a sua trajetória desde os primeiros passos na escolinha Baden-Powell até à transferência relâmpago do São Paulo para o FC Porto, consumada no último dia da janela de inverno da temporada passada.
O extremo brasileiro, de 20 anos, contou como o antigo companheiro James Rodríguez foi decisivo na sua decisão: «Já tinha falado com o James sobre o Porto, conversávamos várias vezes e ele sempre me falou da grandeza do clube e da atmosfera que era».
O jogador revelou que, antes de se juntar ao Dragão, manteve conversas francas com o treinador e os dirigentes do São Paulo. «Eu já sabia do interesse do Porto e tive uma conversa franca com o treinador do São Paulo e com os dirigentes, manifestando a minha vontade. Na época estava de férias, os meus empresários conversaram comigo e na última semana disseram ‘pode pintar alguma coisa’. Tínhamos um pé atrás para não sofrer por antecipação, mantive-me focado no São Paulo. Depois de um jogo, o meu empresário ligou: ‘Amanhã viajas, está tudo certo com os teus pais’. Fiquei muito feliz, apesar de ser triste deixar a casa São Paulo, onde ainda tinha muito para dar. Mas com o FC Porto a chegar, fiquei felicíssimo».
Sobre o negócio em si, William Gomes revelou preocupação com a valorização do seu antigo clube: «Recebo muitas mensagens no Instagram a falar sobre isso e vejo isso, a dizer que saí barato, mas é bom que o São Paulo tenha ficado com essa percentagem – vou ajudá-los». O FC Porto pagou 9 milhões de euros pelo passe, ficando o São Paulo com 20 por cento de uma futura transferência. A saída de Galeno e Nico González abriu espaço para jovens talentos como ele e Tomás Pérez.
A adaptação ao futebol europeu passou pelo contacto com a equipa e pelos primeiros jogos. «O meu primeiro jogo foi contra o Sporting. Cheguei uma semana antes e treinei algumas vezes. O Anselmi disse-me que me ia usar na ala esquerda, posição que nunca tinha feito. Mas o jogador joga em qualquer posição para ajudar. Corri mais, batalhei, e temos boas recordações – empatámos no fim. O primeiro contacto com o Dragão foi especial, toda a vez que jogo lá espero aquela vibração», recordou. Mesmo nas derrotas pesadas, como o 4-1 diante do Benfica, William Gomes manteve o foco: «A cobrança era válida, estávamos num mau momento. Ninguém gosta de perder um clássico assim em casa. Sabíamos da exigência do FC Porto. Era um passo gigante na carreira, sair de um grande como o São Paulo para outro em Portugal. Sabia da responsabilidade».
Na integração, Pepê e Otávio foram fundamentais. «Acolheram-me bem, eram os brasileiros na altura com o Samuel. Conversavam comigo, aconselhavam-me, o Pepê principalmente, mesmo nos dias difíceis. Nos primeiros meses pegámos intimidade. No Mundial de Clubes andámos juntos todos os dias. Na pré-época com Farioli ajudávamo-nos muito. Sabia que a época dele tinha sido dura, tentava animá-lo. Ele alegre joga melhor. Os adeptos veem pouco do dia a dia, ele brinca sempre comigo, às vezes é chato, mas é isso», explicou, sorrindo.
O Mundial de Clubes marcou uma mudança significativa na sua posição em campo. «No início foi difícil, jogava ala ou lateral, posições não naturais, e por dentro de costas. No Mundial mudou tudo quando me disse que iria jogar a ponta esquerda», afirmou William Gomes, destacando a influência da decisão tática de Martín Anselmi na evolução da sua temporada e na sua adaptação ao futebol europeu.





