Depois de um arranque de temporada marcado por irreverência, velocidade e números expressivos, o ataque do FC Porto vive agora um momento de claro arrefecimento, sobretudo nas alas. Borja Sainz, Pepê e William Gomes, o trio mais utilizado por Francesco Farioli nos corredores ofensivos, atravessa um período de produção muito abaixo do esperado, fragilidade que ficou novamente exposta em Rio Maior, frente ao Casa Pia, mas que já se vinha a manifestar há várias semanas.
A ideia de jogo do técnico italiano passa, de forma assumida, pela exploração da largura, procurando criar desequilíbrios através dos extremos lançados em velocidade e em situações de um para um. A construção interior dos dragões assenta, regra geral, na ligação entre os centrais — com Bednarek a assumir papel central — e médios de maior robustez física e critério, como Froholdt e Gabri Veiga. No entanto, esse padrão tem sido cada vez mais facilmente identificado e neutralizado pelos adversários, que bloqueiam a primeira fase de construção e obrigam o FC Porto a procurar soluções alternativas.
É precisamente aí que surge o problema. Quando o jogo pede maior criatividade e eficácia nos corredores, os extremos têm criado pouco perigo real ou revelado incapacidade para transformar boas situações em lances decisivos. A falta de golos e assistências tornou-se evidente, com ações inconsequentes ou rapidamente controladas pelas defesas contrárias, retirando profundidade e imprevisibilidade ao jogo ofensivo portista.
Curiosamente, em Rio Maior, o cenário parecia promissor nos primeiros minutos. O FC Porto entrou determinado, encostou o Casa Pia à sua área e encontrou espaço nos flancos. Borja Sainz apareceu várias vezes em zonas de finalização, mas voltou a pecar no momento decisivo. O espanhol somou três remates — apenas um enquadrado —, foi travado por dois bloqueios e caiu por duas vezes em fora de jogo, num retrato fiel da sua fase atual. Nos últimos 14 encontros, apontou apenas dois golos, números bem distantes do impacto inicial da época.
William Gomes e Pepê seguem tendência semelhante. O jovem brasileiro marcou um único golo nos últimos nove jogos, enquanto Pepê, outrora decisivo, soma apenas um golo em 26 partidas, estatística que ilustra bem a quebra de rendimento de um dos jogadores mais influentes do plantel nas épocas anteriores.
Com a luta pelo título a entrar numa fase decisiva e o Sporting a pressionar seriamente no topo da classificação, Francesco Farioli exige maior agressividade e eficácia nas alas. O Dragão pede extremos capazes de decidir jogos e de transformar superioridade territorial em vantagem no marcador. Neste contexto, Oskar Pietuszewski pode ganhar protagonismo. O reforço polaco surge como alternativa credível, sobretudo num momento em que William Gomes está castigado, após a expulsão com cartão vermelho direto em Rio Maior.
O clássico aproxima-se e o técnico italiano já deixou claro, ao longo da época, que estatutos não garantem lugar no onze. Se Borja Sainz e Pepê não reagirem a tempo, Farioli não hesitará em lançar novas soluções, como tem feito sempre que o rendimento não corresponde. Para o FC Porto, a equação é simples: ou as alas despertam e voltam a ser decisivas, ou o caminho para manter distância sobre o Sporting tornar-se-á cada vez mais sinuoso.





