Eustáquio assume ambição no FC Porto: «Tenho dado a vida todas as épocas e esta não será diferente»

Stephen Eustáquio entra na quinta época ao serviço do FC Porto com a ambição renovada e a convicção de que pode ter um papel determinante no regresso dos dragões aos títulos nacionais. Em entrevista ao canal OneSoccer, concedida durante o estágio da seleção canadiana em Bucareste, o médio de 28 anos revelou a motivação para a nova temporada, o peso da concorrência interna e o sonho de devolver o campeonato aos adeptos.

«É a minha quinta temporada num clube grande como é o FC Porto. Se, há sete anos, me dissesses que estaria cinco épocas no FC Porto, eu chamar-te-ia louco. Mas aqui estou, com muito tempo de jogo no clube», afirmou Eustáquio, sublinhando o seu lugar na hierarquia do balneário. «Sinto que sou importante na equipa, pela experiência que acumulei no clube. Sinto que estou ligado aos valores e às pessoas do FC Porto e sinto que posso transmitir essa mentalidade aos mais jovens e aos jogadores que estão há pouco tempo no clube. Tenho dado a vida todas as épocas e esta não será diferente.»

O internacional canadiano não esconde que o grande objetivo coletivo é voltar a conquistar a Liga. «O meu objetivo é ajudar o FC Porto a ser a melhor equipa possível. O título nacional anda a fugir-nos há três temporadas e isso é algo que quero muito dar de volta aos nossos adeptos. Não sou de fugir aos desafios, nem posso fugir», frisou.

A chegada de Francesco Farioli trouxe novas rotinas e intensidade ao trabalho diário. «Estou a adorar os nossos treinos no FC Porto. São muito exigentes, com alta intensidade e uma carga forte. Também têm muita bola, o que, para mim, é fantástico. Sinto-me muito, muito motivado», destacou o camisola 6, que tem igualmente no horizonte o Mundial 2026, prova que o Canadá coorganiza com Estados Unidos e México.

A entrevista ao canal canadiano também permitiu a Eustáquio recordar a experiência no Qatar e refletir sobre a evolução pessoal. «Lembro-me que cheguei ao Catar [em 2022] na melhor fase da minha carreira. Andava a marcar golos e a fazer assistências no FC Porto, a jogar 90 minutos com muita regularidade, Liga dos Campeões… Infelizmente, depois, não consegui estar à altura a nível físico e não consegui jogar a segunda parte com a Croácia e o terceiro jogo, com Marrocos», recordou.

Hoje, a gestão do corpo é encarada de outra forma. «Tenho de ter cuidado com o tempo de jogo que acumulo, mas também não posso estar sem jogar. Agora, compreendo melhor o meu corpo do que compreendia há quatro anos. Tenho ideias muito claras e sei o que preciso de fazer. Tenho trabalhado com pessoas que me podem deixar em boa forma», explicou.

Capitão do Canadá na ausência de Alphonso Davies, Eustáquio destacou ainda as lições recebidas de referências como Pepe e Otávio. «Joguei com futebolistas que são grandes líderes e aprendi muito com eles. Posso falar de três ou quatro. Na seleção havia, obviamente, o Atiba Hutchinson e também o Steven Vitória. A nível de clubes, joguei com o Pepe e o Otávio, um médio fantástico que me ajudou muito no FC Porto. O mais engraçado é que quando eu tinha 23, 24 e 25 anos ouvia determinadas coisas vindas destes jogadores que não percebia bem, mas agora já entendo o que queriam dizer.»

Com essa bagagem, procura agora ser exemplo para os mais novos. «Como capitão, tenho de pensar na equipa e não apenas em mim. Tenho de comunicar mais, ser um exemplo, o que, por vezes, é muito desafiante. E a juntar a tudo isto tenho de cumprir a minha missão dentro de campo. Em simultâneo, sinto-me confortável neste papel, porque é algo que já fui fazendo no FC Porto. Já falhei muito, mas a maioria das coisas boas que faço agora também se devem a isso», concluiu.