O editorial de setembro da Revista Dragões, assinado por André Villas-Boas, voltou a trazer críticas contundentes do presidente do FC Porto à Liga de Clubes e ao seu dirigente máximo, Reinaldo Teixeira. O líder portista denunciou problemas que, no seu entender, têm colocado em causa a competitividade do futebol português.
«Calendários erráticos, decisões tardias e leituras enviesadas dos regulamentos minam a competitividade», escreveu Villas-Boas logo no arranque do texto, onde acusou a direção da Liga de falhar na resposta aos principais desafios do campeonato nacional. «O valor da liga portuguesa está a cair a pique», alertou, responsabilizando diretamente a liderança pelo cenário.
O presidente dos dragões reforçou que seria necessária «uma resposta unida e responsável de todos os clubes, liderados por uma Liga forte e credível para garantir a competitividade do futebol português a médio e longo prazo». Porém, apontou que a atual gestão não corresponde: «Pouco. Muito pouco. (…) É inócuo e vazio na sua liderança dos Clubes Portugueses, o que não impede a multiplicação de artigos e colunas de opinião laudatórias nos diferentes jornais desportivos dos seus extremamente bem pagos diretores executivos.»
Villas-Boas voltou ainda a abordar os episódios recentes em torno da calendarização do FC Porto, nomeadamente no duelo com o Arouca. «Somos embrulhados em sucessivos episódios, por um lado, caricatos, por outro, em comportamentos continuados que nos fazem duvidar das intenções de certos intervenientes», afirmou, recordando também «o quase adiamento do jogo com o Nacional e o adiamento do encontro com o FC Arouca». «Irresponsabilidades que, além de obrigarem o FC Porto a disputar três jogos num curto espaço de tempo, comprometem uma preparação otimizada e a gestão do seu esforço», acrescentou.
Apesar das críticas, o dirigente deixou uma mensagem de mobilização interna, reforçando a confiança nos objetivos da temporada: «Apesar destes obstáculos, os resultados são prometedores e todos estamos mobilizados. A posição que ocupamos na classificação permite-nos estar como gostamos de estar, a depender de nós próprios, e o sucesso com que iniciámos a nossa participação na Liga Europa, em Salzburgo, mostrou que até ao último minuto vamos lutar pelo nosso destino: as vitórias.»
O editorial terminou com uma dedicatória: «Pelo Jorge Costa, pelo Presidente Jorge Nuno e pelo azarado Nehuén Pérez, a quem desejamos uma pronta recuperação.»





