A seleção nacional de andebol alcançou, esta terça-feira, um triunfo histórico ao vencer a Dinamarca por 29-31, na terceira e última jornada do grupo B da fase preliminar do Euro 2026, disputada em Herning. Pela primeira vez, Portugal bateu a tetracampeã mundial, garantindo não só o apuramento para a main round, como também o primeiro lugar do grupo, abrindo perspetivas para ir além do quarto lugar alcançado no último Campeonato do Mundo.
A equipa orientada por Paulo Pereira entrou em campo com o cenário relativamente controlado, depois da vitória da Macedónia do Norte sobre a Roménia (24-23), que permitia aos lusos sonhar com a qualificação desde que evitassem uma derrota pesada. Ainda assim, frente a um adversário que procurava somar os dois pontos para assegurar um percurso teoricamente mais favorável, Portugal nunca entrou em modo de contenção, assumindo o jogo desde o primeiro minuto.
O arranque foi demolidor, com os portugueses a colocarem-se rapidamente na frente (1-3), surpreendendo os nórdicos. A Dinamarca respondeu, equilibrando o encontro com o apoio de Emil Nielsen na baliza, e aproveitou uma exclusão de Victor Iturriza para passar pela primeira vez para a liderança (7-6). A reação portuguesa não se fez esperar. Mesmo em inferioridade numérica, a falta de eficácia dinamarquesa e a exibição inspirada de Gustavo Capdeville permitiram nova reviravolta (7-8), com o guarda-redes luso a somar cinco defesas em apenas 20 minutos.
A diferença de dois golos manteve-se durante algum tempo, sustentada pelo desempenho dos guarda-redes, incluindo uma entrada decisiva de Pedro Tonicher para travar um livre direto. Martim Costa voltou a ampliar para 9-12, mas a Dinamarca reduziu nos instantes finais da primeira parte, chegando ao intervalo apenas a um golo de distância (11-12).
No segundo tempo, os campeões do mundo entraram mais fortes e conseguiram virar o marcador, alcançando uma vantagem de dois golos (17-15). Um lance polémico, envolvendo uma possível agressão a Martim Costa sancionada apenas com dois minutos, acabou por servir de catalisador para a resposta portuguesa. Tonicher assumiu a baliza e protagonizou uma sequência de intervenções decisivas, enquanto Martim e Kiko Costa lideraram nova reviravolta, colocando Portugal na frente por 21-24, a dez minutos do fim.
A pressão dinamarquesa intensificou-se e o cartão vermelho direto mostrado a Victor Iturriza incendiou ainda mais o ambiente nas bancadas (24-26). Apesar disso, Kiko Costa manteve a frieza e apontou o seu oitavo golo, conservando a vantagem a três minutos do fim (26-28). O desconto de tempo pedido por Nikolaj Jacobsen, com marcação individual aos irmãos Costa, abriu espaço para António Areia, que marcou por duas vezes nos momentos decisivos. Capdeville voltou a brilhar entre os postes, segurando a vantagem mesmo quando a reviravolta se confirmou já dentro do último minuto (28-30).
Um último golo de Martim Costa selou definitivamente o triunfo português, antes de Lauge ainda reduzir para o resultado final. Martim Costa terminou como uma das grandes figuras, com nove golos em 11 tentativas, números idênticos aos do irmão Kiko, que precisou de 15 remates para alcançar a mesma marca.
Com este resultado, Portugal venceu o grupo com cinco pontos, deixando a Dinamarca no segundo lugar, com quatro, ambas já apuradas. A Macedónia do Norte terminou em terceiro, com três pontos, enquanto a Roménia fechou a classificação sem qualquer ponto, ficando ambas afastadas da fase seguinte.





