Premier League em modo louco: Chelsea deixa escapar vantagem de dois golos, Everton cai em casa e Tottenham volta a desiludir

A Premier League voltou a mostrar porque é considerada o campeonato mais imprevisível do mundo. Entre reviravoltas, penáltis, erros defensivos e finais de cortar a respiração, Chelsea, Everton e Tottenham viveram noites bem diferentes, mas todas elas marcadas pela instabilidade emocional típica do futebol inglês.

Em Londres, o Chelsea, de Liam Rosenior, esteve muito perto de somar três pontos que pareciam garantidos. Os blues dominaram praticamente toda a primeira hora de jogo frente ao Leeds, assumindo o controlo da posse de bola e criando várias situações de perigo no último terço. A superioridade traduziu-se cedo no marcador, quando Cole Palmer descobriu João Pedro na profundidade e o brasileiro, com enorme frieza, desviou por cima de Darlow para o 1-0. O intervalo não quebrou o ímpeto londrino e, aos 58 minutos, Palmer voltou a assumir protagonismo ao converter uma grande penalidade, assinando o 2-0 e confirmando o excelente momento individual, com quatro golos e uma assistência nos últimos dois encontros.

Quando tudo indicava uma noite tranquila em Stamford Bridge, aconteceu… Premier League. O Leeds ganhou coragem, aproveitou alguma desconcentração defensiva do Chelsea e relançou o jogo. Nmecha reduziu da marca dos onze metros e lançou a incerteza. Apenas seis minutos depois, uma confusão inacreditável na área dos blues terminou com Okafor a empurrar a bola para uma baliza deserta, selando o 2-2. Já nos descontos, Cole Palmer teve nos pés a oportunidade de resolver, mas falhou de forma clamorosa após um cruzamento perfeito de Moisés Caicedo. O empate deixa o Chelsea mais distante do top-3, com 44 pontos, enquanto o Leeds sobe ao 15.º lugar.

Em Goodison Park, o Everton voltou a sofrer uma noite amarga, desta vez frente ao Bournemouth. Apesar de um início em que Pickford foi chamado à ação logo aos três minutos, os toffees assumiram o jogo e criaram várias oportunidades, chegando mesmo a marcar por Idrissa Gueye, num lance anulado por fora de jogo de Ndiaye. O domínio acabou por ser recompensado já perto do intervalo, quando Ndiaye converteu um penálti e deu vantagem aos da casa, garantindo mais um jogo em que o Everton marcou antes do descanso.

O segundo tempo começou com pressão intensa dos toffees, mas a falta de eficácia acabou por sair cara. Contra a corrente do jogo, o Bournemouth empatou através de Rayan, após um cruzamento milimétrico de Truffert. Pouco depois, os visitantes consumaram a reviravolta com Amine Adli a marcar de cabeça, aproveitando uma falha defensiva e a saída em falso de Pickford. A expulsão de Jake O’Brien complicou ainda mais a missão do Everton, que tentou reagir, mas esbarrou nas defesas de Petrović. A derrota pôs fim a uma série de cinco jogos sem perder no campeonato.

Já no Tottenham Hotspur Stadium, a pressão era enorme sobre Spurs e Newcastle depois de resultados dececionantes na jornada anterior. Os magpies entraram mais determinados e criaram perigo desde cedo, com Joe Willock a ficar perto do golo. O Newcastle acabou por ser premiado em cima do intervalo, quando Malick Thiaw marcou na recarga após defesa inicial de Vicario, colocando justiça no marcador.

Na segunda parte, o Tottenham reagiu, subiu linhas e chegou ao empate por Archie Gray, aproveitando uma bola solta na área. Contudo, a esperança durou pouco. Anthony Gordon rompeu pela esquerda e serviu Jacob Ramsey, que não desperdiçou e fez o 1-2. Apesar da pressão final, os spurs voltaram a revelar falta de clarividência no último terço e somaram o sexto jogo consecutivo sem vencer em casa. Para o Newcastle, foi um triunfo crucial, que permitiu quebrar uma série negativa e regressar à metade superior da tabela.

Uma jornada que voltou a confirmar que, em Inglaterra, nada está decidido até ao último apito — e, mesmo assim, nunca se sabe.