A manhã cinzenta que se abateu sobre a zona do Foz do Douro, no Porto, foi o pano de fundo carregado de simbolismo para o adeus a Jorge Costa. Centenas de pessoas acorreram ao local para prestar a última homenagem ao eterno capitão do FC Porto, falecido inesperadamente aos 52 anos.
O silêncio só era interrompido pelo toque dos sinos, que assinalavam as 10 horas da manhã, momento em que o plantel principal dos dragões chegou à igreja. Olhares baixos, rostos carregados de tristeza. Ainda há dois dias, o “Bicho” estivera com os jogadores no centro de treinos do Olival, num momento que ninguém imaginaria ser o último.
A urna com o corpo de Jorge Costa, vinda diretamente do Estádio do Dragão, entrou pelas 9h15, já com muitos populares e jornalistas no local. Pouco depois, começaram a chegar figuras marcantes da história do futebol português. Domingos Paciência, Costinha, e André Villas-Boas, que se mostrou visivelmente emocionado, marcaram presença. Villas-Boas, presidente dos azuis e brancos, passou o velório quase todo junto ao féretro daquele que considerava o seu braço direito.
Também os campeões do mundo de sub-20 em 1991 quiseram estar juntos neste momento. João Vieira Pinto, Rui Bento, Luís Figo, Gil, Capucho e Luís Miguel chegaram em grupo e entregaram uma coroa de flores a Marco Leite, o eterno adjunto de Jorge Costa nas suas passagens como treinador por vários pontos do globo.
Outras figuras associadas ao futebol nacional foram surgindo, como Ricardo Carvalho, Bruno Alves, Fernando Couto, Chainho, Ricardo Costa, Ivan Marcano e Sereno. Sérgio Conceição, companheiro de tantas batalhas e aquele que, em vida, Jorge Costa apelidava de “melhor amigo no futebol”, fez questão de estar presente, lado a lado com Luís Gonçalves.
Do lado institucional, marcaram presença vários elementos da estrutura portista, como Tiago Madureira, João Begonha Borges, José Luís Andrade e Henrique Monteiro. O Benfica também se fez representar por Shéu Han e Nuno Magalhães, presidente da Mesa da Assembleia Geral.
Na igreja, entre anónimos e nomes sonantes, estiveram também os colegas do filho mais novo de Jorge Costa, Salvador, que integra os sub-19 do Leça. O filho mais velho, David Costa, analista de vídeo do AVS SAD, também esteve presente, naturalmente abalado.
A cerimónia religiosa teve início às 10h30. A comoção foi generalizada. O corpo de Jorge Costa seguiu depois para o Cemitério de Agramonte, onde foi sepultado.
No coração do futebol português, ficará para sempre a memória de um líder feroz, símbolo de uma era dourada no FC Porto, com 21 títulos conquistados, entre eles a Liga dos Campeões e a Taça Intercontinental. Mais do que isso, ficou o legado humano de alguém que todos reconheciam como “capitão” dentro e fora de campo.





