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Abel Xavier relembra lance que tirou Portugal do Euro 2000

O antigo internacional Abel Xavier reitera que não teve intenção de cortar a bola com a mão, no jogo com a França, das meias-finais do Euro2000.

Este domingo assinala-se a passagem de duas décadas desse desafio, que ditou o fim do sonho da seleção nacional na competição, mas as memórias do lance estão bem vivas para Abel Xavier, que considera que, no contexto atual, a decisão do trio de arbitragem seria outra.

“A bola bateu-me na mão, mas não tive intenção de fazer penálti. Prova disso é que a falta não foi logo marcada. Passaram três minutos, com muita pressão dos jogadores franceses sobre o fiscal de linha, porque nem ele nem o árbitro tinham campo de visão para marcar a grande penalidade”, recordou à Agência Lusa o ex-jogador.

A alegada falta de Abel Xavier aconteceu já no prolongamento, quando, aos 117 minutos, na sequência de um remate de Sylvain Wiltord, a bola embateu no braço do jogador português, levando o árbitro a apontar para a marca dos 11 metros, onde Zidane não desperdiçou a oportunidade para estabelecer o 2-1 final.

Desse jogo em Bruxelas, Abel Xavier, ainda hoje, mantém a convicção que se fosse um lance semelhante na área francesa “a decisão não seria a mesma”, lembrando que, na altura, a seleção gaulesa “tinha outro tipo de influência, que condicionava o jogo”.

“A regra do golo de ouro tirou-nos qualquer hipótese de reação. Ficou um sabor amargo, porque tínhamos uma excelente equipa, com potencial para vencer. Acabou por ser um fechar de um ciclo para aquela geração incrível”, lembrou.

O antigo defesa aumenta o nível de frustração com o desfecho desse jogo quando recorda que, minutos antes do lance fatídico, o guardião francês Fabien Barthez travou um cabeceamento seu, após cruzamento de Luís Figo, numa defesa que foi considerada a melhor desse Europeu.

“A história podia ter sido diferente. Mas, apesar de tudo, ficou, para sempre, um sentimento de grande empatia do povo português com esta nossa equipa. Tínhamos um lote de jogadores muito especiais e de grande qualidade. Costumo dizer que éramos a geração de ouro ‘escovado’ e esta que ganhou o Euro2016 é a geração de ouro ‘polido’, analisou sorridente.

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