Treinador defende Cristiano: “Frustração e paixão explicam a reação”

O selecionador nacional explicou que a derrota frente à Irlanda resultou sobretudo de uma entrada muito fraca no jogo. Referiu que, apesar de recentemente Portugal ter conseguido marcar cinco golos diante da Arménia — também organizada num bloco baixo —, frente aos irlandeses faltou precisão, clareza com bola e coordenação entre setores, muito por ausência de jogadores com os quais a equipa já tem rotinas consolidadas, como Pedro Neto, Nuno Mendes ou Bruno Fernandes. Acrescentou que o golo sofrido de bola parada condicionou ainda mais a equipa e que, quando começavam a melhorar dentro de um rendimento globalmente fraco, acabaram por voltar a sofrer. Reconheceu que tudo correu mal a Portugal e que quase tudo correu bem à Irlanda, admitindo que a expulsão de Cristiano Ronaldo complicou ainda mais a missão, apesar de ter visto coragem na equipa durante a segunda parte.

Questionado sobre o significado desta ser a sua primeira derrota em fases de qualificação, o selecionador relativizou, dizendo que o anormal era ter acumulado 42 jogos sem perder ao serviço de uma seleção. Recordou ainda que foi a primeira expulsão de Ronaldo em 226 internacionalizações. Considerou que é preciso ser autocrítico, mas enquadrar o resultado: Portugal continua a depender de si e, vencendo o próximo jogo em casa, garante a presença no Mundial.

Sobre a forma como Cristiano reagiu à expulsão, explicou que a frustração do avançado nasce da sua enorme competitividade e vontade de vencer. Admitiu que é difícil para um ponta de lança lidar com marcações muito físicas dentro da área e sugeriu que houve exagero do central irlandês no lance. Acredita que as imagens acabam por parecer mais graves do que aquilo que realmente aconteceu, e insinuou que houve tentativa da equipa irlandesa de condicionar o árbitro.

Questionado se se sente em condições de continuar no cargo, afirmou que a derrota deve ser entendida no contexto atual e lembrou que Portugal já se qualificou para grandes competições através de play-offs, sendo que ainda há um jogo para determinar o apuramento.

Relativamente à ausência de Raphael Guerreiro para substituir Nuno Mendes, justificou que está a tentar gerir a equipa para jogos muito próximos entre si, apostando na polivalência dos jogadores disponíveis. Garantiu que essa escolha não influenciou o resultado, reforçando que a derrota se deveu ao desempenho coletivo aquém do habitual.

Sobre a escolha do onze inicial, reconheceu a necessidade de autocrítica e disse que se tratava de um jogo emocionalmente exigente, diante de um adversário difícil. Elogiou a Irlanda e apontou a necessidade de focar nos jogos seguintes, procurando compreender claramente as razões do desaire.

Quando abordado sobre as exibições de João Cancelo e Diogo Dalot, preferiu não individualizar, sublinhando que o desempenho foi coletivo. Explicou que ambos conhecem bem o sistema e o futebol britânico, e que a ideia era explorar as ligações pré-existentes, como a de Dalot com João Félix.

Perante a questão de Portugal entrar muitas vezes em desvantagem, respondeu que a equipa já abriu vantagem em vários jogos e que é fundamental manter personalidade e capacidade de reação. Assumiu que começaram muito mal frente à Irlanda e que a falta de alguns jogadores importantes prejudicou as ligações dentro da equipa.

Sobre as substituições ao intervalo, explicou que Cancelo já tinha amarelo e não quis correr riscos. Quanto a Renato Veiga, disse que já tinha adotado a mesma estratégia noutras ocasiões, tirando partido do impacto físico durante 45 minutos.

Relativamente aos golos sofridos de bola parada, admitiu preocupação, mas lembrou que, antes destes dois jogos, o desempenho nesse aspeto era muito sólido.

Quando voltou a ser questionado sobre Ronaldo, insistiu que o avançado foi alvo de marcação intensa e que a reação surgiu da frustração e do empenho em ajudar a equipa. Considerou novamente que o lance parece mais grave nas imagens do que ao vivo, e criticou o dramatismo do adversário envolvido no lance, reforçando o desejo da equipa de vencer o próximo jogo por Ronaldo.

Quanto ao eventual impacto da menor competitividade da liga saudita, respondeu que os números falam por si, recordando que Félix e Cancelo têm marcado nesta fase, e que Ronaldo, desde que está na Arábia Saudita, já soma 25 golos em 29 jogos pela Seleção.