O Sevilla anunciou, através de um comunicado, o corte de relações institucionais com o vizinho e rival, Real Betis. Na origem do problema esteve o último derby entre as equipas, onde, para celebrar a vitória, três jogadores formados nos nervionenses, exibiram uma bandeira com o símbolo dos beticos riscado.
Ora, isso motivou uma queixa formal do Betis contra Juanlu, Carmona e Isaac, pelo que os três atletas foram suspensos para o jogo seguinte, frente ao Celta de Vigo. O Sevilla, por sua vez, não terá gostado da atitude do outro clube da cidade, apresentando, agora, uma nota formal onde oficializa o corte de relações.
Eis o comunicado na íntegra:
“O Sevilha FC, perante a queixa do Betis que levou a que três dos seus jogadores, Isaac, Juanlu e Carmona, fossem suspensos para o jogo contra o Celta na passada jornada, deseja comunicar:
-Que entende que o comportamento dos diretores do Betis, ao denunciarem o festejo dos jogadores perante os órgãos federativos e não perante a Comissão Anti-Violência viola um código importante e abre um precedente perigoso, ao procurar punições desportivas através de atos não desportivos.
-Que considera que os factos denunciados pelos dirigentes se inserem no contexto de uma celebração de um jogo de máxima rivalidade, no seu próprio campo, e sem qualquer tipo de objeto ofensivo, e não entende que possam ser interpretados como geradores de violência. É surpreendente que o clube verde e branco não entenda estes acontecimentos no contexto da rivalidade. E é igualmente surpreendente a decisão de sancionar estes eventos de forma desportiva, abrindo um precedente perigoso em todo o futebol espanhol.
-Que o Sevilha tem dado provas cabais de seriedade em casos semelhantes, como quando jogadores do Betis ou mesmo dirigentes gozaram publicamente com os jogadores do Sevilha, entendendo que certos excessos e mesmo ofensas devem ficar no âmbito dos festejos, mesmo que sejam sinais de falta de educação e decoro.
-Que o Sevilha considera que os diretores do Betis não estiveram à altura das circunstâncias, nem da instituição que representam, nem dos seus adeptos, que souberam interpretar muito melhor a situação que estamos a viver
(…)
-O Sevilla constatou que tem um entendimento muito diferente das relações entre os dois clubes, que devem ser cordiais e respeitosas no quadro saudável da nossa rivalidade desportiva. Um quadro que o Betis decidiu transgredir, de forma dececionante, para procurar benefícios desportivos fora do campo.
É por esta razão que o nosso clube decidiu romper relações com o Betis, pois não entendemos como podem continuar a existir tais relações quando os diretores do clube verde e branco procuraram deliberada e conscientemente prejudicar o nosso clube. Prejudicar desportivamente o Sevilla foi o objetivo da denúncia de comportamentos antidesportivos perante os tribunais da competição. Consequências que eram bem conhecidas na entidade verde e branca. Por último, o Sevilha deseja reiterar a sua deceção pela atitude inadequada dos diretores do Betis, não só em relação a outro clube, mas sobretudo em relação ao Sevilha. E também a sua deceção com as decisões dos comités federativos».
Haro defendera-se na terça-feira, em reunião de acionistas: « Fiquei surpreendido [com a suspensão]. Os profissionais têm de respeitar as instituições e os símbolos. O Betis colocou algumas imagens à disposição dos diferentes comités, não denunciou nada. Apenas as disponibilizámos para serem avaliadas. Não pedimos sanção desportiva e não somos responsáveis por os jogadores terem falhado um jogo”.





