José Mourinho considerou que o Benfica saiu do Estádio do Dragão com um desfecho injusto, entendendo que a sua equipa foi superior durante grande parte do encontro, apesar de não ter conseguido transformar esse domínio em golos. O treinador encarnado sublinhou que o controlo do jogo esteve maioritariamente do lado do Benfica, frente a um FC Porto intenso, forte fisicamente e muito competente na pressão e nas transições.
Na análise ao único golo do encontro, Mourinho apontou as limitações impostas pelas ausências no setor defensivo, explicando que a equipa teve de adaptar as marcações nas bolas paradas, uma vez que jogadores habitualmente determinantes nesses momentos não estavam disponíveis. Ainda assim, frisou que esse aspeto foi trabalhado ao longo da semana, consciente da importância desse detalhe num jogo de eliminação direta.
O técnico destacou que o Benfica conseguiu impor a sua ideia de jogo, manteve a posse e criou situações que poderiam ter alterado o resultado, lembrando em particular uma ocasião clara já perto do final da partida. Para Mourinho, a falta de eficácia acabou por ser decisiva num encontro em que as oportunidades surgiram de forma limitada, mas suficiente para justificar outro desfecho.
Questionado sobre o momento da época, o treinador recusou qualquer leitura de fracasso, lembrando que foi chamado para liderar o projeto num contexto exigente e reiterando que o objetivo permanece inalterado: lutar por títulos e vencer jogos, independentemente das competições ainda em disputa. Nesse sentido, sublinhou que a motivação do grupo não está em causa.
Mourinho afastou o foco de si próprio, reforçando que o protagonismo deve pertencer exclusivamente ao clube, e manifestou total apoio aos jogadores, elogiando a atitude competitiva demonstrada no Dragão. Apesar da frustração pelo resultado, assumiu estar satisfeito com a resposta coletiva da equipa, algo que, segundo o próprio, nem sempre aconteceu noutras fases da temporada.
A lesão de Richard Ríos foi apontada como um contratempo relevante, não apenas pela importância do jogador no equilíbrio da equipa, mas também pela entrega demonstrada, com o médio a colocar o interesse coletivo acima da condição física. Mourinho mostrou confiança de que o atleta ainda poderá ser útil ao longo da época.
Por fim, o treinador explicou as opções tomadas no onze inicial, nomeadamente a aposta em jogadores mais abertos no ataque, com o objetivo de condicionar a projeção ofensiva dos laterais do FC Porto e garantir largura ao jogo encarnado. Num clássico decidido ao detalhe, Mourinho concluiu que o resultado acabou por premiar quem foi mais eficaz, reconhecendo o triunfo do adversário, mas sem apontar falhas de atitude ou compromisso à sua equipa.





