Mourinho admite dificuldades no Benfica e pede tempo para impor identidade

José Mourinho reconheceu que o Benfica ainda não apresenta a identidade que deseja ver em campo. O técnico assumiu que a equipa atravessa um momento de cansaço, condicionado pelo calendário apertado, e que isso teve impacto no jogo frente ao Gil Vicente. Para o treinador, a frescura física da equipa minhota, que teve uma semana para preparar o encontro, foi determinante para o equilíbrio do desafio. Ainda assim, destacou o esforço, a entrega e a resiliência dos seus jogadores, sublinhando que, apesar das dificuldades, o mais importante foram os três pontos conquistados.

O treinador dos encarnados deixou elogios a César Peixoto, recordando até uma experiência pessoal com o ex-jogador aquando de uma lesão grave. Considerou que o Gil Vicente demonstrou qualidade, coragem e frescura, colocando dificuldades a um Benfica que, segundo Mourinho, revelou limitações físicas, especialmente nos extremos. Neste contexto, destacou o papel de Richard Ríos, a quem atribuiu importância no equilíbrio defensivo e nas transições.

Questionado sobre a utilização prolongada de Lukebakio, Mourinho explicou que a decisão se prendeu com a escassez de opções no banco para a posição. O treinador quis manter em campo um jogador capaz de oferecer perigo ofensivo e justificou a aposta inicial no belga pelo impacto que poderia ter no início do encontro.

Sobre o estilo de jogo, Mourinho recusou a ideia de pragmatismo, reconhecendo que foi o Gil Vicente quem conseguiu condicionar o Benfica nos minutos finais. Já em relação ao gesto com um apanha-bolas após o primeiro golo, justificou-o como uma forma de valorizar jovens que vivem intensamente o clube e sonham em seguir carreiras ligadas ao futebol.

O técnico das águias assumiu ainda que, neste momento, não se trata de uma equipa “grande” em termos exibicionais, e que as mudanças que procura implementar não podem ser imediatas, sobretudo porque não fez a pré-época com o grupo. Considerou que se trata de um plantel jovem e carente de experiência em momentos decisivos, pedindo tempo para consolidar novos princípios de jogo.

Relativamente à exibição de Trubin, Mourinho mostrou-se pouco impressionado, referindo que, apesar de uma boa intervenção inicial, não viu no guardião ucraniano um fator decisivo na partida.

Por fim, o treinador abordou o regresso a Stamford Bridge, sublinhando a motivação de rever o filho em Londres e a ambição de recuperar pontos perdidos na Champions. Comentou ainda a ausência de Cole Palmer no Chelsea, considerando que não representa um grande problema para os londrinos, ao contrário do que seria a ausência de jogadores como Pavlidis ou Sudakov no Benfica.