Fernando Mamede, uma das figuras maiores do atletismo português, morreu esta terça-feira aos 74 anos, vítima de problemas cardíacos. Natural de Beja, foi recordista mundial dos 10.000 metros e marcou várias gerações, tanto pelo talento excecional em pista como pela dimensão humana de uma carreira vivida sob enorme exigência emocional.
Criado numa família humilde, enfrentou graves problemas de saúde ainda em criança, mas cedo encontrou na corrida uma paixão e um caminho. Depois de se destacar em provas regionais, ingressou no Sporting em 1968, orientado por Moniz Pereira, treinador com quem construiu uma ligação profunda e atingiu o auge competitivo.
O momento mais marcante da sua carreira aconteceu em 1984, em Estocolmo, quando estabeleceu o recorde mundial dos 10.000 metros, numa corrida histórica. Ao longo do percurso, somou um recorde mundial, três europeus e 27 recordes nacionais, em várias distâncias.
Apesar do impressionante palmarés, nunca conquistou uma medalha olímpica. Participou em três Jogos Olímpicos e ficou especialmente marcada a desistência em Los Angeles 1984, numa prova em que partia como um dos favoritos, num episódio associado à forte pressão psicológica.
Após o fim da carreira, regressou com frequência ao Alentejo e a uma vida mais simples. Nos últimos anos, falou abertamente sobre períodos de depressão, reforçando a imagem de um atleta genial, mas profundamente vulnerável.
A sua morte deixa um vazio no desporto nacional, mas o legado de Fernando Mamede permanece como um dos mais relevantes da história do atletismo português.





