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Herói Eder do Euro 2016 suspeito de fraude fiscal

O internacional português Eder é suspeito de fraude fiscal. Em causa estão dívidas de 2012 à Autoridade Tributária e Segurança Social.

Eder foi mesmo um dos visados pela operação Fora de Jogo e esteve na mira dos inspetores que fizeram buscas no SC Braga na semana passada.

«No âmbito do presente inquérito investiga-se a atuação conjunta de Éderzito António Macedo Lopes, Sporting Club de Braga, ‘Idoloásis, Unipessoal, Lda’, Mohamed Afzal, ‘FMA, FZE International Sports Agency’ e Nadine Aboobakar Mahmood para ocultação de rendimentos fiscais», lê-se no mandado de busca.

O Ministério Público suspeita que, entre o final de 2011 e início de 2012, Eder recorreu a um esquema de contratos fraudulentos para fugir aos impostos. Depois de ter assinado um contrato de trabalho com a Académica de Coimbra, em dezembro de 2011, Eder, o seu agente Mohamed Afzal e a empresa Idoloásis, Unipessoal, Lda assinaram um acordo com o Sporting de Braga que cedia ao clube minhoto 50% dos direitos económicos que tinham sido alegadamente adquiridos pela Idoloásis.

Mas o Ministério Público acredita que se tratou de um negócio simulado: Eder representava a Académica de Coimbra, que até já tinha acordado a transferência do jogador para Inglaterra, para o West Ham. Só que Eder não assinou este contrato e chegou a acordo com o SC Braga para jogar no Minho por quatro temporadas.

Eder terá, assim, simulado a venda de direitos económicos para «desonerar-se de parte das contribuições para a Segurança Social e retenções na fonte», escreve o MP, citado pela Sábado: esta venda «visou o pagamento de valores que seriam exigidos pelo profissional de futebol a título de prémio de assinatura e, assim, de rendimento de trabalho dependente». E o SC Braga conseguiu, assim, maior margem de negociação, conseguindo reduzir a tributação em IRS.

Quando, em 2015, Eder foi vendido ao Swansea por 6,7 milhões de euros, a Idoloásis encaixou 10% do valor da venda, que entretanto passou para a Fam FZE – com sede no Dubai – e que é representada por Nadine Gadyt. Segundo a Sábado, Gadyt é primo de Mohamed Afzal e está registado como agente de jogadores em Portugal. O jogador representa atualmente o Al-Raed da Arábia Saudita, que não revelou de quanto tempo é o contrato que liga Eder ao clube.

Na semana passada, o Ministério Público confirmou, através de comunicado, a realização de duas dezenas de buscas domiciliárias e não domiciliárias na sequência de investigações em negócios do futebol.

As buscas foram feitas com o apoio da Direção de Serviços de Investigação da Fraude e de Ações Especiais da Autoridade Tributária e decorreram em instalações de Sociedades Anónimas Desportivas, em empresas e em escritório de advogados.

«Em causa estão suspeitas de negócios simulados, celebrados entre clubes de futebol e terceiros, que tiveram em vista a ocultação de rendimentos do trabalho dependente, sujeitos a declaração e a retenção na fonte, em sede de IRS, envolvendo jogadores de futebol profissional. Os valores envolvidos rondarão os 15 milhões de euros. Os factos em investigação são suscetíveis de integrarem crimes de fraude fiscal, fraude à segurança social e branqueamento de capitais», revelava a nota do Ministério Público.

Escrito por: José Carlos Leal

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