O FC Porto realizou no último mercado de verão o maior investimento da sua história, sustentado pelo recorde de vendas de jogadores em 2024/25, pela renegociação do contrato de exploração do Estádio do Dragão e pela entrada de financiamento através dos mercados de capitais.
Na apresentação de Francesco Farioli, André Villas-Boas tinha prometido o “maior mercado de sempre”, depois de uma primeira época como presidente marcada pelo terceiro lugar na Liga. A promessa foi cumprida: chegaram dez reforços por 94,35 milhões de euros, num total de 111,35 milhões já com a aquisição de metade do passe de Samu, avançado espanhol que se tornou o jogador mais caro do futebol português (32 milhões).
No editorial da revista Dragões, Villas-Boas garantiu que esta aposta foi feita dentro das possibilidades do clube e com responsabilidade financeira. Recorde-se que, quando assumiu a presidência, em maio de 2024, encontrou uma SAD em dificuldades, com prejuízos e graves problemas de tesouraria. Chegou mesmo a emprestar 500 mil euros de forma pessoal ao clube.
A recuperação começou com vendas históricas: 171,45 milhões em passes de jogadores ao longo de 2024/25, com destaque para Nico González (60M€, Manchester City) e Galeno (50M€, Al Ahly). Apesar de não terem sido substituídos, estas saídas foram determinantes para equilibrar contas.
Outro passo fundamental foi a renegociação do contrato de exploração do Dragão com a Ithaka, que garantiu logo 50M€ e pode chegar aos 100M€. Acrescentaram-se ainda emissões obrigacionistas recorde (115M€ a 25 anos) e empréstimos de retalho, que permitiram refinanciar a dívida em condições mais favoráveis.
O Relatório e Contas do primeiro semestre de 2024/25 mostrou já um resultado líquido positivo, ainda que modesto (334 mil euros), e reduções significativas de custos, nomeadamente em salários e serviços externos. Em agosto, a SAD anunciou ainda ter liquidado antecipadamente o adiantamento das receitas televisivas, garantindo que a partir de 2026 voltará a receber na íntegra os direitos dos jogos em casa.
No último mercado de verão, as vendas renderam 77,17 milhões, sem que a equipa perdesse os jogadores mais influentes. Francisco Conceição (Juventus, 32M€), João Mário (Juventus, 12M€), Gonçalo Borges (Feyenoord, 10M€) e Otávio Ataíde (Paris FC, 17M€) foram as principais saídas.
Dentro de campo, o investimento começa a dar frutos: os dragões somam quatro vitórias em quatro jogos na Liga, algo que não acontecia desde 2017/18, e venceram o campeão Sporting em Alvalade (2-1). Ainda assim, só a conquista de títulos validará em pleno a forte aposta feita pela direção.





