Exclusão de Aboubakar lança seleção dos Camarões no caos

Os Camarões atravessam um período de grande instabilidade antes da Taça das Nações Africanas, depois de o selecionador Marc Brys e a Federação liderada por Samuel Eto’o terem divulgado duas listas de convocados diferentes. O antigo avançado é acusado de ter deixado Vincent Aboubakar, ex-FC Porto, fora da convocatória para preservar o seu estatuto de melhor marcador da história da seleção.

No início do mês, e pouco depois de Eto’o ser reeleito presidente da Federação, foi comunicado que Brys seria substituído por David Pagou e que a lista para a CAN não incluiria nem Andre Onana nem Aboubakar. Contudo, Brys, que foi nomeado pelo Ministério do Desporto, afirmou que só o próprio governo o pode dispensar do cargo, sublinhando que essa decisão ainda não foi formalizada e que, por isso, continua a considerar-se o selecionador.

O treinador enviou então ao Ministério a sua própria convocatória, onde integrou tanto Onana como Aboubakar. Brys, segundo relatos à imprensa belga, considera que Eto’o sempre procurou afastá-lo e que o presidente federativo terá interferido diretamente na escolha dos jogadores, deixando de fora elementos que considera fundamentais.

A imprensa local indica ainda que Brys questiona como é possível preparar uma CAN sem um guarda-redes de elite ou sem Aboubakar, acusando Eto’o de agir de forma demasiado competitiva e centrada na própria imagem.

A relação difícil entre Eto’o e Onana já é conhecida, mas fontes citadas pelo The Sun avançam que poderá ter existido também a intenção de impedir Aboubakar de aproximar-se do recorde de golos de Eto’o pela seleção. O ex-avançado mantém 56 golos, enquanto Aboubakar soma 45.

A crise levou representantes do governo e da Federação a reunir-se para tentar encontrar uma solução. Contudo, a menos de duas semanas do primeiro jogo da CAN, frente ao Gabão, ainda não está definido quem irá orientar a equipa nem qual será a lista oficial de convocados.