O documento em discussão sobre a centralização dos direitos de transmissão televisiva e multimédia do futebol português ainda não é a proposta final prevista na lei, mas sim um rascunho. Estão previstos novos encontros entre a Liga Portugal e a Autoridade da Concorrência em setembro, sendo que a proposta oficial terá de ser apresentada até ao final da época. A centralização pretende abranger não só a televisão, mas também o consumo digital, e já levanta preocupações quanto ao preço a pagar pelos adeptos.
Quem comprar os direitos ficará com eles durante cinco anos, através da empresa criada para o efeito, a Liga Centralização. Este modelo segue o que acontece nas principais ligas europeias, procurando incentivar o investimento, atrair novos concorrentes e evitar aumentos de preços para os consumidores.
A Liga defende que não deve existir a cláusula que impeça um comprador único, justificando que existem poucas entidades em Portugal com capacidade financeira para adquirir os direitos. Além disso, alerta para o baixo poder de compra dos adeptos e para o risco de aumento da pirataria caso os jogos fiquem dispersos por vários operadores.
No rascunho não está definido qualquer preço mínimo para os lotes, nem a forma como as receitas serão distribuídas pelos clubes. As propostas podem ser apresentadas por empresas individuais, consórcios ou operadores, desde que garantam independência e transparência. Isso abre a porta a canais já existentes, como a Sport TV, BTV e V+, mas também a plataformas internacionais como a DAZN ou a serviços de streaming.
O processo será feito através de leilão, com propostas fechadas e confidenciais. A Liga estabelecerá preços de reserva para cada lote, depositados em notário. Os pacotes podem ser organizados por dias ou horários, incluindo opções que garantem jogos de maior interesse como clássicos e dérbis. A jornada continuará a ser distribuída entre sexta e segunda-feira, abrangendo tanto a I como a II Liga.





