A nova Liga dos Campeões: 36 equipas e sorteio eletrónico revolucionam a competição

A Liga dos Campeões 2023/24 vai estrear um novo formato que promete mudar a história da competição. O tradicional modelo de fase de grupos será substituído por um formato de liga, onde 36 equipas competirão entre si, enfrentando oito adversários diferentes — quatro jogos em casa e quatro fora. A principal novidade? A classificação será única, com todas as equipas integradas numa tabela global, independentemente dos adversários que encontrarem ao longo desta fase.

O sorteio, marcado para o dia 29 de agosto, em Mónaco, também sofrerá uma transformação radical. Pela primeira vez, será um software a decidir os emparelhamentos, afastando o processo manual que, ao longo dos anos, foi considerado um dos momentos mais aguardados da época. Esta mudança tecnológica gerou de imediato polémica entre os adeptos, que expressaram preocupação quanto à transparência do novo sistema. Além disso, o receio de ciberataques tornou-se uma ameaça real, dada a crescente sofisticação dos ataques a grandes organizações.

Em resposta a estas preocupações, a UEFA organizou um briefing com os meios de comunicação. Giorgio Marchetti, diretor de futebol da UEFA, e Tobias Hedstück, chefe de competições, explicaram os detalhes do novo procedimento. David Gill, diretor de tecnologia da AE Live, a empresa responsável pelo desenvolvimento do software, garantiu que todas as medidas de segurança estão implementadas para assegurar um sorteio justo e inviolável. “A nossa prioridade é proteger a integridade da competição e garantir que o sorteio seja 100% imparcial”, afirmou Gill.

O novo sistema manterá alguns elementos tradicionais. Haverá quatro potes, cada um com nove equipas, e a presença de um embaixador da UEFA como anfitrião do evento. No entanto, ao contrário do que acontecia anteriormente, assim que uma bola for retirada do pote 1, o software irá determinar automaticamente os oito adversários desse clube. As regras mantêm-se: não poderão defrontar-se equipas do mesmo país, nem qualquer clube poderá encontrar mais de uma equipa da mesma liga. À medida que os adversários forem sendo definidos, o processo repetirá-se com as equipas dos potes 2, 3 e 4, sendo que as escolhas ficarão mais restritas à medida que os primeiros clubes forem emparelhados.

Num exemplo fornecido pela UEFA, ao PSG poderiam calhar adversários como o Inter, Barcelona, Arsenal, Leverkusen, PSV, Sporting de Portugal, Celtic e Stuttgart. Este cenário sublinha a maior dificuldade e emoção que esta nova fase da Liga dos Campeões promete trazer, comparativamente ao modelo anterior.

O calendário dos jogos será divulgado no dia seguinte ao sorteio e também será gerado por um sistema informático. Este calendário terá em conta critérios televisivos, garantindo que clubes do mesmo país não joguem ao mesmo tempo.

Com a nova Liga dos Campeões prestes a arrancar, o sorteio eletrónico já é alvo de discussão e suspeitas. Os adeptos, sempre atentos, aguardam com expectativa, mas também com desconfiança, este passo importante para a digitalização da principal competição de clubes da Europa.