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Ceferin confronta Infantino no congresso da UEFA

O presidente da UEFA teve um discurso duro e que foi visto como dirigido à FIFA, cujo presidente, Gianni Infantino, estava na sala em Amesterdão onde se desenrolou o congresso do organismo europeu.

“Quando o objetivo sobre o lucro passa a lucrar à frente do objetivo é preciso soar o alarme”, disse no Centro de Conferências Beurs van Berlage, na capital holandesa.

“Nenhum dirigente do futebol, tenham eles o ego que tiverem, deve pensar que somos nós as estrelas do jogo”.

O futebol “não é simplesmente um negócio como qualquer outro. Tem uma história, tradição e uma estrutura que têm que ser respeitadas”, disse Ceferín. “A pirâmide do futebol é delicada e não deve ser colocado em causa o seu equilíbrio. Certos projetos, alguns penados noutros continentes mas com o apoio de governos [do futebol] são particularmente preocupantes”, alertou o presidente da UEFA, demarcando-se mais uma vez dos planos da FIFA para criar um Mundial de clubes com 24 equipas.

“Os adeptos não são consumidores. Ou clientes. São adeptos. Os jogadores não são máquinas. Nem produtos, nem peões. São jogadores. Nenhum dirigente do futebol, tenham eles o ego que tiverem, deve pensar que somos nós as estrelas do jogo. Nós somos apenas os guardiões do jogo.”. A parte dos “egos” não estava no discurso distribuído aos jornalistas.

O esloveno que preside à UEFA também reconheceu que, apesar do enorme sucesso da sua organização, há muito trabalho a fazer, nomeadamente contra a discriminação e o racismo. “As coisas têm que mudar. Temos que começar por aplicar as regras que já temos. Isso seria um bom início. Isto significa aplicar a regra dos três passos. Não devemos ter medo de o fazer. Em todo o lado. Sem excepções. Nas últimas três épocas, as comissões de disciplina da UEFA impuseram 73 fechos de partes de estádios e 39 jogos de portas fechadas após incidentes de discriminação. Isto mostra que estamos a fazer o que devemos mas também mostra como o problema é importante”.

“O problema não está no campo, onde a diversidade é maior do que na maior parte dos campos da sociedade. O problema está na sociedade”, disse ainda o presidente da UEFA.

Já na conferência de imprensa, um jornalista perguntou a Ceferin se o seu discurso não teria sido “pouco humilde”, tendo em conta a presença do presidente da FIFA na sala. “Eu não falei sobre mim, falei sobre a organização. E o que eu disse foram factos, apenas”, respondeu.

O congresso, em que Fernando Gomes, presidente da FPF, esteve presente na mesa, como vice-presidente do Comité Executivo, foi informado de que as receitas em 2018/19 foram de cerca de quatro mil milhões de euros, com um prejuízo de 45 milhões dentro do orçamentado, porque as finanças da UEFA dependem muito dos anos em que se realiza o Campeonato da Europa.

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