A Taça Africana das Nações de 2025 arranca, este domingo, em Marrocos, com o anfitrião a dar o pontapé de saída frente às Ilhas Comores, a partir das 19 horas. Começa assim a 35.ª edição da mais importante competição de seleções africanas, que reunirá 24 países ao longo de quase um mês, até à final marcada para 18 de janeiro, em Rabat, no renovado Complexo Desportivo Príncipe Moulay Abdellah.
Disputada em nove estádios espalhados pelo território marroquino, a CAN promete ser uma montra de talento e ambição, com várias seleções a surgirem como candidatas sérias à conquista do troféu. Marrocos, embalado pelo estatuto de anfitrião e pelo crescimento sustentado dos últimos anos, parte naturalmente no lote da frente. A presença de Achraf Hakimi, capitão dos Leões do Atlas, foi uma das grandes notas da convocatória, depois de o lateral-direito ter estado em dúvida devido a lesão. A seu lado surgem nomes de peso como En-Nesyri, Brahim Díaz ou o jovem Ben Seghir, num conjunto que procura apagar a eliminação precoce da última edição, nos oitavos de final, frente à África do Sul.
O exemplo recente da Costa do Marfim serve de inspiração. Na CAN 2023, disputada já em 2024, os Elefantes viveram uma montanha-russa emocional: goleados na fase de grupos, trocaram de selecionador a meio da prova e acabaram por conquistar o título em casa, numa caminhada improvável até à final, onde derrotaram a Nigéria, então orientada por José Peseiro. Diomande, do Sporting, e Konan, do Gil Vicente, fizeram parte dessa equipa campeã.
A Nigéria, que não ergue o troféu desde 2013, volta a apresentar um plantel recheado de qualidade, com Victor Osimhen e Ademola Lookman a liderarem uma geração que quer voltar ao topo. Também o Senegal surge com ambições elevadas. Considerada por muitos como a “segunda geração de ouro”, a seleção dos Leões de Teranga conta com Sadio Mané, Iliman Ndiaye, Ismaila Sarr, Nicolas Jackson e Pape Matar Sarr, entre outros, mantendo-se como uma das forças mais consistentes do continente.
O Egito continua a ser um nome incontornável, muito por força de Mohamed Salah, agora acompanhado por Omar Marmoush, enquanto a Argélia aparece com Riyad Mahrez como principal referência, apoiado por jogadores como Amoura, Aït-Nouri, Houssem Aouar ou Hadj Moussa. Os Camarões, apesar do talento de Bryan Mbeumo e Carlos Baleba, chegam à prova envolvidos num clima de instabilidade, após semanas marcadas por conflitos internos na federação. A ausência de figuras como André Onana e Vincent Aboubakar é particularmente notada.
Entre os países lusófonos, Angola e Moçambique garantem que o português também se fará ouvir na CAN. Os Mambas regressam à competição pela primeira vez desde 2010 e apresentam o maior contingente de jogadores a atuar em Portugal, com destaque para Geny Catamo, do Sporting, uma das grandes figuras da equipa orientada por Chiquinho Conde. No conjunto angolano, surgem nomes como Pedro Bondo, Beni Mukendi e Jonathan Buatu, todos a atuar no futebol português, além de Gelson Dala, que volta a integrar a convocatória depois de ter sido o segundo melhor marcador da última edição.
No total, são 18 os jogadores dos campeonatos portugueses presentes na CAN 2025, distribuídos por oito das 24 seleções participantes, sublinhando a ligação cada vez mais forte entre o futebol nacional e o continente africano.
Com o arranque iminente, Marrocos prepara-se para receber durante 29 dias o centro das atenções do futebol africano. Para além do prestígio continental, a competição serve também de ensaio para várias seleções que estarão no Mundial de 2026, num torneio que promete emoção, qualidade e histórias fortes desde o primeiro ao último dia.





