O empate sem golos entre Palmeiras e Cruzeiro, no Allianz Parque, deixou Leonardo Jardim visivelmente insatisfeito. No duelo entre os técnicos portugueses Abel Ferreira e Leonardo Jardim, a partida da 30.ª jornada do Brasileirão terminou sem vencedores, mas com muitas queixas do treinador madeirense em relação à arbitragem.
Na conferência de imprensa após o encontro, Jardim não escondeu a frustração: “Cheguei aqui [à sala de conferências] e disseram-me: ‘Bem-vindo ao Brasil’. Estou bastante frustrado. Apanhei um grupo fantástico no Cruzeiro, tenho uma boa relação com os adeptos. Assim sendo, pergunto-me se vale a pena continuar, uma vez que não somos nós que controlamos os jogos.”
O técnico prosseguiu o desabafo, lamentando o que considera ser uma dualidade de critérios: “Isto é uma balança e o peso da frustração está quase a igualar o da satisfação. Vim para usufruir do jogo, da paixão que têm pelo futebol. O Kaiki tem o lábio todo inchado, não se parou o encontro na altura. Qualquer lance da primeira parte estava um jogador do adversário no chão… Existiu dualidade de critérios.”
Por fim, Leonardo Jardim foi mais longe nas críticas à estrutura do futebol brasileiro: “Não quero isto para mim, gosto de controlar o jogo. Hoje de manhã [domingo] estava com o Gabriel, e ele perguntou-me se o Brasil estava no top-5 das minhas experiências internacionais. Disse que não. Enquanto um grupo de profissionais estiver a ser gerido ou arbitrado por um conjunto de amadores, enquanto não existirem relvados iguais, um sindicato de jogadores forte para defender os interesses dos atletas do calendário, não vamos entrar na lista.”
O treinador do Cruzeiro respondeu apenas a uma pergunta antes de abandonar a sala, num ambiente de evidente descontentamento. Recorde-se que a sua equipa terminou o jogo reduzida a dez unidades, após a expulsão de Fabrício Bruno aos 71 minutos, e teve ainda quatro jogadores amarelados num encontro pautado por tensão e contestação.





