O Boavista efetuou um depósito de 53.371,64 euros na conta da massa insolvente dos credores do clube, regularizando as despesas correntes referentes ao mês de janeiro, depois de ter falhado o prazo inicial de pagamento, fixado para o dia 13. A informação consta de um requerimento enviado pela administradora de insolvência, Maria Clarisse Barros, ao Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia, divulgado pela Agência Lusa.
Apesar deste pagamento, as panteras continuam em incumprimento relativamente a uma tranche de 96.000 euros, correspondente à primeira de três prestações destinadas à liquidação de dívidas vencidas e não regularizadas. Esse montante deveria ter sido pago até ao dia 10 de janeiro, tal como as duas prestações seguintes, previstas para fevereiro e março, acrescidas das verbas mensais necessárias para cobrir as despesas correntes do clube.
Perante o incumprimento, a administradora de insolvência iniciou de imediato diligências para o encerramento da atividade do Boavista, uma vez que não carecia de nova convocatória da assembleia de credores. No entanto, durante esse processo, a direção axadrezada informou que o valor agora depositado estava prestes a ser assegurado, o que se confirmou esta sexta-feira. Quanto aos 96.000 euros em falta, o clube garantiu que serão liquidados até ao próximo dia 6 de fevereiro, com o apoio de um alegado investidor interessado em viabilizar a continuidade da atividade, encontrando-se em contactos e negociações com credores.
No requerimento enviado ao tribunal, Maria Clarisse Barros considera que, estando assegurado o pagamento das despesas correntes de janeiro, aguardar até 6 de fevereiro pelas restantes diligências não causará prejuízo à massa insolvente, permitindo atenuar as dúvidas quanto à manutenção da atividade do clube.
Entretanto, na passada segunda-feira, um dos credores requereu o afastamento da atual direção, presidida por Rui Garrido Pereira, defendendo que a gestão do Boavista deveria passar para a administradora de insolvência. Recorde-se que, a 16 de dezembro, o clube chegou a acordo com os credores para manter a atividade, com a direção a assegurar que estava em negociações com entidades públicas e investidores privados para implementar um plano de recuperação financeira.
No plano desportivo, o Boavista vive uma situação particularmente delicada. No verão, o clube lançou uma equipa sénior independente da SAD e inscreveu-se na última divisão distrital, mas acabou por abdicar da competição em outubro, sem realizar qualquer jogo, devido à solidariedade com as dívidas da SAD, que soma sete impedimentos de inscrição de jogadores junto da FIFA. Despromovido à Segunda Liga em maio, após terminar o campeonato no último lugar, o Boavista fechou assim um ciclo de 11 épocas consecutivas na Primeira Liga, mantendo, ainda assim, o estatuto de histórico campeão nacional, graças ao título conquistado em 2000/01.





