Ivan Chishkala sai do Benfica com críticas duras a Cassiano Klein: “Queria controlo total”

Ivan Chishkala já não é jogador da equipa de futsal do SL Benfica e, à saída, deixou fortes críticas à liderança de Cassiano Klein, treinador das águias. Em entrevista ao portal russo sports.ru, o ala de 30 anos não escondeu os constantes atritos com o técnico brasileiro, com quem teve “desentendimentos constantes”.

O internacional russo começou por recordar o papel de Pulpis, antigo treinador encarnado, destacando a mudança que foi obrigado a aceitar. “Em 2022, assinei um novo contrato de três anos e veio o Pulpis. Ele não confiava nos fixos e pediu-me para assumir essa posição mais recuada. Sacrifiquei os meus interesses, fiz o trabalho ‘sujo’, algo absolutamente normal para mim”, explicou.

Contudo, com a chegada de Cassiano Klein, a tensão aumentou. “O treinador disse que eu tinha de jogar de uma certa maneira, como a equipa queria, e fazer o que ele mandasse. Queria controlo total, tentava controlar-me o tempo inteiro. Respondi: ‘Sei o que preciso de fazer, posso chegar ao resultado sem destruir o sistema’. Mas disseram-me diretamente: ‘Tens de obedecer, porque estás no fundo da hierarquia’. Disse que isso não iria funcionar comigo”, confessou.

Chishkala, que deixou o clube da Luz em maio de 2025 e representa agora o Torpedo, deu ainda exemplos da falta de sintonia com Cassiano Klein. “Sou um jogador experiente. Se temos jogo ao sábado, no treino de quinta dou 70 a 75 por cento, para guardar energias. O treinador não gostava. Quando jogava bem ao sábado, dizia que tive sorte. Nunca reconhecia a preparação”, relatou.

O russo criticou ainda a visão inflexível do treinador sobre o profissionalismo. “Ele achava que, depois do treino, só devíamos pensar em futsal. Para mim, o futsal é a parte principal da vida, mas não a única. É importante dedicar tempo à família e aos hobbies. Eu posso jogar padel, e para ele isso era sinal de falta de foco.”

A saída de Chishkala marca o fim de uma ligação de três épocas ao Benfica, onde conquistou títulos e foi peça-chave, mas cuja etapa final ficou marcada por divergências profundas com a nova liderança técnica.