Atletas de elite vivem na incerteza do regresso das competições desportivas

Os atletas de alto rendimento manifestam abalos emocionais desde a interrupção súbita e por tempo indeterminado das provas desportivas, que levanta mais hesitações que certezas em pleno combate à pandemia da Covid-19.

Se a sensibilidade com o esférico tende a desvanecer nas próximas semanas, o especialista sublinha que as relações sociais devem ser preservadas através das novas tecnologias, efetuando “videochamadas e telefonemas com familiares e amigos” para compensar as restrições comunitárias decretadas pelo estado de emergência.

Primeiro mestre em Psicologia do Desporto no país, área na qual se doutorou pela Universidade do Minho, Jorge Silvério trabalha a faceta anímica de mais de 100 praticantes, treinadores e equipas de várias modalidades, que partilham “inquietações e problemas de motivação, confiança e controlo emocional” face aos impactos da Covid-19.

Menos dúvidas enfrenta a esfera olímpica, sobretudo desde terça-feira, quando foi determinado o adiamento de Tóquio2020 por um ano, propiciando uma “nova conjuntura” que adicionará obstáculos à gestão individual de expectativas, embora tenha moderado os dilemas advindos da resistência do Comité Olímpico Internacional (COI).

Sendo hábito da psicologia oferecer estratégias personalizadas, o esforço mantido com a generalidade dos praticantes na desenvoltura da “tenacidade mental”, dimensão assente na perícia para ultrapassar contrariedades e que deve extravasar o contexto competitivo na mitigação da pandemia da covid-19.

A pausa não significa um interregno psicológico e o embaixador do Plano Nacional de Ética no Desporto sugere mesmo que alguns praticantes substituam metas imediatas por objetivos de médio e longo prazo, sem apagar do horizonte o regresso à normalidade.

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