Julgamento Alcochete: Jorge Jesus sobre treino marcado e agressão com cinto no dia do ataque

A sessão do julgamento aos ataques a academia de Alcochete de terça-feira ficou marcada pelo testemunho de Jorge Jesus e a ausência de Rúben Ribeiro.

Jorge Jesus descreveu um cenário de terror descrevendo as agressões de que foi alvo durante toda a confusão admitindo que levou com um cinto na cara, estando Fernando Mendes ao seu lado. O líder da claque na altura disse que não podia fazer nada para ajudar apesar dos pedidos do técnico.

“Vi fumo quando tentava entrar no vestiário [balneário]. Depois quando voltei a entrar ali aquilo parecia um filme de terror. Estava tudo virado ao contrário. Os jogadores super desequilibrados. O Bas Dost foi o único que vi a chorar. Não sabiam o que fazer, estavam super revoltados. Bancos virados ao contrário, marquesas, e muita coisa no chão. Tochas. Muita confusão.”

Jorge Jesus começa por dizer que os encapuzados que entraram na Academia eram cerca de 20. “Aquilo parecia uma corrida de um pelotão de guerra. Fui atrás deles a correr. Não os vi a entrar. Estava no relvado, a 85 metros. Quatro deles não estavam de cabeça tapada, vinham atrás do grupo de 20 ou 30. Era fumo por todo o lado nos balneários. Foi nos balneários que fui agredido”, conta.

“Bruno de Carvalho, passado uma ou duas horas, apareceu na Academia. Falou comigo. Pediu-me para falar com os jogadores. Disse-lhe que não havia condições para falar com os jogadores. ‘Eles não querem falar consigo’, disse-lhe”, recorda o então treinador do Sporting.

Jorge Jesus esclareceu ainda toda a polémica sobre a hora do treino.

“O treino de 15 de maio é marcado nessa semana com o Vasco Fernandes. Marquei o primeiro dia de treino após o jogo com o Marítimo no domingo. Segunda-feira era dia de folga. O treino estava marcado para terça-feira de manhã. Eu e a equipa técnica fomos convocados para uma reunião em Alvalade, na segunda-feira. Não era normal para uma segunda-feira. Pensámos que íamos ser todos despedidos”, recorda Jesus.

Jorge Jesus foi assim ouvido ao contrário de Rúben Ribeiro. O antigo jogador do Sporting que iria falar por videoconferência, não compareceu em tribunal para testemunhar no julgamento do ataque à academia de Alcochete, que decorre no Tribunal de Monsanto, em Lisboa.

Pelas 10:15h, a presidente do coletivo de juízes, Sílvia Pires, explicou que a testemunha “não compareceu” esta manhã no tribunal na zona norte do país designado a partir do qual iria prestar declarações por videoconferência, e que o seu advogado tinha o telemóvel desligado.

Os futebolistas encontravam-se na academia do clube, em Alcochete, em 15 de maio de 2018, quando a equipa do Sporting foi atacada por elementos do grupo organizado de adeptos da claque Juventude Leonina, que agrediram técnicos, jogadores e outros funcionários do clube.

O processo, que está a ser julgado no Tribunal de Monsanto, em Lisboa, tem 44 arguidos, acusados da coautoria de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.

Bruno de Carvalho, à data presidente do clube, ‘Mustafá’, líder da Juventude Leonina, e Bruno Jacinto, ex-oficial de ligação aos adeptos do Sporting, estão acusados, como autores morais, de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.

Os três arguidos respondem ainda por um crime de detenção de arma proibida agravado e ‘Mustafá’ também por um crime de tráfico de estupefacientes.

Aos arguidos que participaram diretamente no ataque à academia, o Ministério Público imputa-lhes a coautoria de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.Estes 41 arguidos vão responder ainda por dois crimes de dano com violência, por um crime de detenção de arma proibida agravado e por um crime de introdução em lugar vedado ao público.

Estes 41 arguidos vão responder ainda por dois crimes de dano com violência, por um crime de detenção de arma proibida agravado e por um crime de introdução em lugar vedado ao público.

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