Jordão sem exéquias e funeral é privado

A família de Rui Jordão informou este sábado que «não haverá lugar a exéquias» por vontade do ex-jogador.

«Respeitando profundamente as suas intenções – sempre coerentes -, não haverá lugar a exéquias. A cada um a sua homenagem pessoal, profissional ou pública», diz uma nota da família, que lembra, mais do que o futebolista, o artista, sublinhando que a narrativa de vida de Rui Jordão não terminou: «tal como nunca terminam as narrativas daqueles que transcenderam as glórias mundanas, a favor da contemplação humanista».

«Num momento em que a perda de um ente querido nos fragiliza, comove-nos, acima de tudo, o facto de percebermos que mais pessoas do que pensávamos sabem, na alma, que o Rui Jordão era – e sempre foi – muito mais que um dos melhores jogadores de futebol portugueses do século XX», acrescenta o comunicado.

COMUNICADO DA FAMÍLIA DO DR. RUI MANUEL TRINDADE JORDÃO Artista Plástico

«As lágrimas do mundo são uma constante quantitativa: para cada um que começa a chorar, há um que pára de o fazer.»

Samuel Beckett, À espera de Godot

«Não vimos aqui, na verdade, comunicar nada. Não há nada de novo a comunicar. Quase antes de sermos informados, já a notícia corria na imprensa, nas redes sociais, no boca-a-boca… Rui Jordão faleceu esta manhã.

O que a imprensa, as redes sociais e o boca-a-boca não sabem é quem, de facto, era o Rui Jordão. Mas isso, se não se importam, fica para quem teve o privilégio incrível de privar com ele, de o conhecer para além da figura pública.

Num momento em que a perda de um ente querido nos fragiliza, comove-nos, acima de tudo, o facto de percebermos que mais pessoas do que pensávamos sabem, na alma, que o Rui Jordão era – e sempre foi – muito mais que um dos melhores jogadores de futebol portugueses do século XX.

Neste momento em que nos confrontamos com a brutalidade irónica da existência, vimos, aqui, agradecer a todos os que, directa ou indirectamente, o acompanharam, o apoiaram e, acima de tudo, o compreenderam.

A narrativa da vida do nosso Rui não terminou. Tal como nunca terminam as narrativas daqueles que transcenderam as glórias mundanas, a favor da contemplação humanista – figura pública, ou não. Respeitando profundamente as suas intenções – sempre coerentes –, não haverá lugar a exéquias. A cada um a sua homenagem pessoal, profissional, ou pública.

Não esqueçamos, no entanto, que, lá por não acabar a Primavera por morrer uma andorinha, certamente a Primavera ficará mais pobre…

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