Rui Pinto fica em prisão preventiva

O pirata informático e denunciante Rui Pinto fica em prisão preventiva no âmbito da investigação a acessos aos sistemas informáticos do Sporting e da Doyen Sports.

O arguido foi ouvido esta sexta-feira, durante uma hora e meia, no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa.

Após a audição, a juíza de instrução criminal Maria Antónia Andrade decidiu aplicar a medida de coação mais pesada ao colaborador do Football Leaks.

A juíza considera que há perigo de continuação da atividade criminosa, perturbação do inquérito e de fuga.

Advogado Francisco Teixeira da Mota disse aos jornalistas que não concorda com a decisão do tribunal e vai recorrer da prisão preventiva.

De acordo com fonte judicial, Rui Pinto não se remeteu ao silêncio e decidiu colaborar com as autoridades judiciais.

O “hacker” foi detido na Hungria, ao abrigo de um mandado de captura internacional, e chegou na quinta-feira a Lisboa, acompanhado por elementos da Polícia Judiciária.

Na base do mandado estão acessos ilegais aos sistemas informáticos do Sporting e do fundo de investimento Doyen Sports e posterior divulgação de documentos confidenciais, como contratos de futebolistas do clube lisboeta e do então treinador Jorge Jesus, além de outros contratos celebrados entre a Doyen e vários clubes de futebol.

Rui Pinto está indiciado de seis crimes: dois de acesso ilegítimo, dois de violação de segredo, um de ofensa a pessoa coletiva e outro de extorsão na forma tentada.

O colaborador do Football Leaks terá entrado, em setembro de 2015, no sistema informático da Doyen Sports, com sede em Malta, e é também suspeito de aceder ao endereço de correio eletrónico de membros do Conselho de Administração e do departamento jurídico do Sporting e, consequentemente, ao sistema informático da SAD leonina.

No período em que esteve detido na Hungria, Rui Pinto assumiu ser uma das fontes do Football Leaks, plataforma digital que tem denunciado casos de corrupção e fraude fiscal no universo do futebol, no âmbito dos quais estava a colaborar com autoridades de outros países, nomeadamente, França e Bélgica.

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