Alegado “hacker” fica em prisão domiciliária na Hungria

Rui Pinto, o alegado “hacker” que terá roubado e-mails ao Benfica, vai ficar em prisão domiciliária, na Hungria. A informação foi confirmada à Renascença pelo seu advogado, Francisco Teixeira da Mota.

Poucas horas após ter sido detido, no âmbito de um inquérito da PJ que dura há mais de três anos, Rui Pinto de 30 anos confirmou ser o denunciante no caso “Football Leaks”.

Num comunicado enviado às redações, os advogados William Bourdon e Francisco Teixeira da Mota justificaram a sua conduta, alegando que denunciou “práticas criminosas”, e anunciaram que se opõem à sua extradição da Hungria, onde foi detido.

“O Sr. Rui Pedro Gonçalves Pinto tornou-se num importante denunciante europeu no âmbito dos chamados Football Leaks, relembrando-se que muitas revelações feitas ao abrigo destas partilhas de informação estiveram na origem da publicação, durante vários anos, de notícias que deram lugar à abertura de muitas investigações em França e noutros países europeus”, pode ler-se.

O mesmo texto permitiu perceber a sua estratégia de defesa: assume que subtraiu informações confidenciais de clubes de futebol e a ligação ao “Football Leaks”, mas argumenta que fez tudo ao abrigo de um estatuto de “denunciante” de práticas contrárias à lei, devendo, por isso, ser protegido, beneficiando de uma espécie de imunidade. Invoca, até, a legislação europeia a seu favor e a abertura de investigações em diversos países por práticas ilícitas no futebol.

A justiça portuguesa já emitiu um pedido de extradição para Rui Pinto, que foi detido na Hungria. Os advogados anunciaram que se vão opôr ao pedido e apontam para os critérios de proteção dos lançadores de alertas, “whistleblowers”, presentes na legislação europeia.

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